Quarta-feira tem fórum social na programação do Novembro Negro

novembro 28, 2017

20 de Novembro de 1695. Nesta data, numa grande luta morria Zumbi dos Palmares, o negro que enfrentou através de sua liderança, toda uma estrutura política e social que oprimia e discriminava. Mostrou seu valor e de seu povo quando colocou em xeque o poder bélico da Colônia através de uma bem organizada resistência.

Por obra deste grande estrategista, guerreiro e africano, é possível entendermos que muito mais do que rebelde ou anarquista, como era pensamento da época, pôs em evidência o grito dos excluídos e demonstrou esta força. Foi contrário aos seus que tentavam aceitar condições de paz para o Quilombo de Palmares.  Ele insistia em defender o fim geral da escravidão e não apenas de seu quilombo. Lutava pelo coletivo.

consciencia negra

A realidade vivida pela população negra no Brasil é construída baseada em 400 anos de escravidão, marginalização, genocídio e condições subalternas de vida. Apesar de “abolida” em 1888, a escravidão deixou profundas marcas em nossa sociedade, que refletem nitidamente a desigualdade social e as situações extremas de pobreza, violência e discriminação encaradas pelo povo preto.

Na dura verdade social em que vivemos, onde à cada dia surgem inovações negativas, pesadas para a população trabalhadora, é comum depararmos com diversas situações que lembram este passado de opressão, de ignorância e preconceito. Em Lavras não é diferente. O racismo em seus diversos moldes, afeta a vida do nosso povo e o avanço social e igualitário do país.

Diante disso se vê necessário nosso posicionamento enquanto povo. Somos povo e enquanto povo que vive à sombra da Democracia, desafiamos o preconceito para passarmos com a nossa cor, com a nossa livre expressão de gênero, com as nossas diferenças, com todos os questionamentos que uma sociedade pode e deve buscar para sua melhoria. Lutamos contra os retrocessos que validam o extermínio da população preta e sua cultura, e não mais nos calamos diante dos racistas.

Evocamos as lutas de todos os ícones mundiais, em prol de uma humanidade mais justa, mais igualitária e com isso, mais coerente, onde os valores possam ser ainda apreciados por sua inquestionável necessidade.  

Àqueles que estão com a responsabilidade de criar leis, que atentem para o quê realmente precisamos das leis. Não pode ser apenas jogo de interesse de pequenos grupos ou de poucos. É para o povo. E povo inclui TODOS. Cada um com seu gênero, raça, sua cultura, saberes e vivências.

As dores, suores e lágrimas dos nossos antepassados não podem ser desprezados. Lutamos pela sua validade e reafirmamos nossos direitos, cientes de que nossos deveres estão sendo cumpridos e bem cumpridos. Não aceitamos um direito sequer a menos.

Buscamos formas de aproximação pelas nossas diferenças, e não distanciamento ou ódio. Afirmamos como Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar. ”

Assim sendo, é com muito orgulho que o CMPIR, Conselho Municipal de Políticas de Igualdade Racial, em parceria com diversas entidades da sociedade civil, apresentam uma extensa programação comemorativa ao Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de Novembro e convidam a comunidade lavrense para a programação do Novembro Negro – Lavras Desconstruindo o Racismo.

Programação_Novembro_Negro

Fonte: Conselho Municipal de Políticas de Igualdade Racial

Deixe aqui o seu comentário: