Samu Regional recebe mais de 53 mil trotes em 2018

janeiro 10, 2019

Em 2018, a base regional do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no Sul de Minas recebeu 379.191 ligações no período de 1 de janeiro a 31 de dezembro, conforme um levantamento divulgado pela assessoria de imprensa do órgão. No entanto, 53.537 delas eram trotes. Os dados mostram ainda uma diminuição de 40,86% com relação ao mesmo período em 2017, quando foram registrados 90.532 trotes.

Funcionando desde 2015, o Samu atende Sul e Sudoeste do estado, com bases descentralizadas. Atualmente, a área de cobertura é de 152 cidades. Segundo coordenador geral do serviço, Jovane Ernesto Constantini, a atitude de passar trotes para o órgão é prejudicial para toda população.

“O atendimento primário pode acabar deslocando uma ambulância para o atendimento, que pode tanto ser aqui em Varginha, quanto em qualquer outra cidade da área de cobertura. Em alguns trajetos, de 30 ou 40 quilômetros, a ambulância pode demorar 30 minutos para e voltar. Nesse meio tempo, pode acontecer um acidente grave e com vítimas reais”, afirma.

Trotes atrapalham serviço dos atendentes do Samu Regional — Foto: Assessoria de imprensa/Samu Regional

Trotes atrapalham serviço dos atendentes do Samu Regional — Foto: Assessoria de imprensa/Samu Regional

Ainda de acordo com ele, quando a ligação considerada trote parte de um mesmo número de telefone e acontece mais de uma vez, o contato é registrado no sistema, o que pode dificultar um atedimento futuro, quando realmente necessário.

“A partir da 10ª ligação no mesmo telefone que já foi considerado trote, ele fica registrado no sistema e os médicos e auxiliares de regulação têm maior resistência a passar a ligação para frente. Aqui em Varginha, em 2016, um telefone fixo em um bairro chegou a ter um registro de mais de 500 ligações consideradas trotes, era um orelhão. Um dia aconteceu um acidente grave, ligaram no 192 e até nosso profissional entender que realmente era um caso grave, a ambulância levou um tempo para ser deslocada. Felizmente, não houve sequelas ou agravo de saúde do paciente, mas é importante que as pessoas saibam que o serviço público tem que ser usado com responsabilidade e só quando necessário”, explica.

Como funcionam as ligações para o Samu?

Conforme Constantini, as ligações para o Samu passam por duas fases antes do deslocamento da ambulância – na primeira, um auxiliar de regulação pega as primeiras informações da ocorrência e, em seguida, repassa a ligação para um médico atendendente. Só depois é decidido se a ambulância será enviada ao local ou não.

“O auxiliar de regulação, que faz o primeiro atendimento, tem até 1 minuto e 20 segundos para concluir esse serviço. Graças ao nosso treinamento, hoje a gente consegue não ultrapassar 35 segundos nessa fase. Depois passa para o médico regulador, que é o primeiro responsável a definir se aquele é ou não um caso de acionar o Samu”, diz.

Atendentes têm até 1 minuto e 20 segundos para concluir primeiro atendimento no Samu Regional — Foto: Assessoria de imprensa/Samu Regional

Atendentes têm até 1 minuto e 20 segundos para concluir primeiro atendimento no Samu Regional — Foto: Assessoria de imprensa/Samu Regional

Ele ainda ressalta que responder a essas perguntas com atenção e calma é essencial para que o atendimento seja feito corretamente.

” A primeira pergunta é local onde a pessoa está e endereço. A pessoa precisa ter calma, porque o Samu atende em várias cidades, às vezes ela acha que o atendimento está sendo realizado na cidade dela. Então tem que ter calma e passar o endereço, cidade, nome da rua, uma referência e, por último, qual motivo da ligação”, relata.

Mais de 71 mil ocorrências atendidas

Em 2018, Samu Regional deslocou ambulância em mais de 71 mil ocorrências  — Foto: Assessoria de imprensa/Samu Regional

Em 2018, Samu Regional deslocou ambulância em mais de 71 mil ocorrências — Foto: Assessoria de imprensa/Samu Regional

No período, o Samu se deslocou da base para atender 71.987 ocorrências no Sul de Minas. Sendo 41.953 clínicas, 15.439 traumáticas, 2,317 obstétricas, 1.930 psiquiátricas e 884 pediátricas.

O Samu ainda prestou atendimentos de apoio a outros órgãos durante o ano. De acordo com os dados divulgados pela assessoria de imprensa, 109 em suporte à Polícia Militar, 89 à Unidade de Suporte Avançado (USA) e 45 em apoio ao Corpo de Bombeiros. Além disso, outros 107 atendimentos foram feitos com o Serviço Aeromédico Avançado de Vida.

O levantamento aponta para um total de 130.802 ligações perdidas, o que significa que a chamada ficou muda, a pessoa do outro lado da linha desligou ou a ligação não foi completada por algum motivo. O número representa 34,5% do total de ligações recebidas.

Em 2018, 107 atendimentos foram realizados pelo Serviço Aeromédico Avançado de Vida — Foto: Assessoria de imprensa/Samu Regional

Em 2018, 107 atendimentos foram realizados pelo Serviço Aeromédico Avançado de Vida — Foto: Assessoria de imprensa/Samu Regional

Samuzinho na escola

Lançado em 2017 no Distrito Federal, o Samuzinho na Escola é um projeto com intuito de conscientizar crianças do ensino básico e fundamental sobre os malefícios do trote, educação no trânsito e informações sobre o Samu em geral.

Em outubro de 2018, o Samu Regional lançou um projeto piloto com base no Samuzinho na Escola para todas as cidades da área de cobertura.

“Devido à ‘Lei Lucas’, que foi sancionada no ano pasado, vamos treinar de 5 a 40 alunos por cidade e profissionais da rede de educação. Esses profissionais precisam saber o básico dos primeiros socorros. Vamos trazê-los para a base em Varginha, onde vão entender o funcionamento da central, como funciona o serviço desde o momento da primeira ligação até ensinar procedimentos para quando alguém engasgar e reanimação cardiopulonar, para casos de infarto”, conclui.

Fonte: G1

Deixe aqui o seu comentário: