Lei estadual que proíbe o cerol e a linha chilena completa 17 anos com muitos feridos e pouca fiscalização

agosto 01, 2019

A utilização do cerol ou de linha chilena foi proibida há 17 anos no Estado de Minas Gerais.A lei de julho de 2002 prevê multa de até R$ 1.500 para quem portar o material. Além disso, segundo a Polícia Civil, o Código Penal qualifica o uso como crime passível de prisão.

A norma determina que a fiscalização seja feita pelo Corpo de Bombeiros em conjunto com a Polícia Militar (PM) e as guardas municipais. No entanto, os próprios órgãos de segurança admitem a dificuldade em fazer o monitoramento. Sem o cerco, uma brincadeira inocente é suja de sangue, tira vidas e leva centenas de pessoas a pedir socorro nas unidades de saúde.

E o alerta é ainda maior nesta época do ano. Em julho, os ventos são mais propícios para empinar pipas e as crianças entram em férias escolares. “Observamos, estatisticamente, que nesse período o número de acidentes é maior. Todo cuidado é pouco”, afirma o tenente dos Bombeiros Pedro Aihara.

Fiscalização

A fiscalização não é tão simples. Como o cerol é feito em casa, a polícia teria que analisar cada material utilizado nas ruas. O uso e venda desses produtos são comportamentos difíceis de ser fiscalizados e combatidos. A eficácia da lei é comprometida pela dificuldade de analisar cada uma das linhas em uso no Estado

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais não apresentaram dados sobre essas prisões.

Mistura perigosa é temida por motociclistas; riscos também para a rede elétrica e pedestres

O cerol e as linhas chilenas oferecem risco a qualquer pessoa, mas são os ciclistas e motociclistas as vítimas mais frequentes. A velocidade com que passam pelo material cortante é uma das justificativas, o Corpo de Bombeiros.

Motoboy há 12 anos, Emerson de Melo Faria, sentiu na pele esse perigo. “Eu estava na avenida Antônio Carlos, em BH. Quando senti a linha, me joguei na moto. Foi o que me salvou”, conta. A atitude impediu que o acidente fosse fatal, mas não evitou o corte no pescoço, que demandou dez pontos para ser fechado.

“É um acidente que pode acontecer com qualquer um que trabalha nas ruas. E não vejo as pessoas sendo presas por uso de linhas cortantes”, afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas e Ciclistas de Minas Gerais, Rogério dos Santos Lara.

Ele lembra que, nesse contexto, o uso de anteninhas nos veículos é extremamente necessário. “Temos que tomar cuidados para nos proteger. Sempre que tem criança soltando pipa há um risco para quem pilota motos”, conclui.

Outro risco potencial é o de corte dos fios da rede elétrica. Engenheiro da companhia elétrica, Demetrio Venicio Aguiar diz que pode acontecer de a própria pessoa que está segurando a linha tomar um choque ou de o fio cair energizado sobre outro pedestre na rua. O acidente pode levar a um choque leve ou até mesmo à morte.

Fonte: Hoje em Dia

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