Delegacia de Mulheres de Lavras prende dois suspeitos na “Operação Acalento”
junho 29, 2021
Por meio da Delegacia de Mulheres de Lavras, no cumprimento de sua atribuição institucional, em decorrência de investigação iniciada em fevereiro de 2021, demos cumprimento a dois mandados de prisão preventiva e um de busca e apreensão, consubstanciando na OPERAÇÃO ACALENTO.
Foram ouvidas três vítimas e diversas testemunhas, que apontaram, em declarações uníssonas, a prática dos delitos de estupro de vulnerável, tráfico de pessoas, corrupção de menores e fornecimento de drogas e álcool a menores de idade, tudo em um centro religioso e com relação aos cultos realizados no local.
Como consta nos autos de Inquérito Policial, G. de P. V. (21 anos), J. de A. R. (16 anos) e J. M. (17 anos) narram terem sido abusados sexualmente, ou presenciado abusos sexuais, por parte de D. dos S. A. e R. de O. , os quais também oferecem drogas e bebida alcoólica a menores de idade, além de leva-los a praticar crimes.
De acordo com o narrado pelas vítimas, os investigados são “pais de santo” em um centro religioso e utilizam da religião para oferecer drogas e álcool a adolescentes (já que não poderiam recusar o oferecido pela “entidade religiosa”) momento em que passam a praticar os abusos sexuais. De acordo com as vítimas, os suspeitos também usam da religião para fazer com que os adolescentes pratiquem furtos, sob ameaças de serem penalizados, ficando até sem alimentação.
Cumpre destacar que os irmãos, J. de A. R. e J. M, ambos menores de idade, narram que viveram no “terreiro” de propriedade dos investigados, local onde recebiam moradia e alimentação, em troca de trabalho, sendo que faziam toda a limpeza do local.

As vítimas apresentam versões coincidentes dos fatos, inclusive do uso da religião pelos investigados, que durante os rituais forneciam álcool aos adolescentes, para com eles praticar atos libidinosos, configurando os estupros de vulneráveis.
Ainda entre as atrocidades cometidas por D. dos S. A. e R. de O., uma das vítimas narra que foi forçada a manter relação sexual (sexo oral), sob pena de não “comprarem” os medicamentos para seu irmão, J.M., que é portador de HIV, o que configura uma suposta violação sexual mediante fraude.
Em síntese, o esforço da Polícia Civil, com apoio do Ministério Público e Poder Judiciário local, resultou na prisão dos suspeitos de crimes tão graves.
As investigações prosseguem para finalizar o quanto antes o Inquérito Policial, bem como para identificar novas vítimas, que muito provavelmente sofreram os abusos pelos líderes religiosos investigados e temem se abrir por “respeito” à crença pregada pelos investigados.
Fonte: Polícia Civil de MG – Delegacia de Mulheres de Lavras








