Pesquisadores da UFLA monitoram áreas afetadas por rejeitos na barragem de Fundão, em Mariana

novembro 09, 2021

Seis anos após o rompimento da barragem de Fundão, pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) continuam monitorando as áreas afetadas pela deposição de rejeitos. Estão sendo avaliadas as condições do novo ambiente para crescimento de espécies de plantas e recuperação das áreas degradadas.

“Nossa pesquisa é prática, avaliamos o efeito da deposição do rejeito por meio de indicadores físicos, químicos e biológicos do solo, bem como os efeitos na comunidade microbiana de solo”, explica o professor e coordenador do estudo, Marco Aurélio Carbone Carneiro (DCS).

Sei meses após o desastre, os pesquisadores visitaram o local e deram início aos estudos do Tecnossolo, formado pela mistura do rejeito e do solo local. Durante a visita, os cientistas observaram que a passagem do rejeito retirou toda a cobertura vegetal da margem do rio, atingindo, inclusive, áreas agrícolas.

“Esse rejeito, depositado às margens do rio Gualaxo do Norte, inicialmente dificultou o estabelecimento e desenvolvimento de plantas nativas e exóticas, já que sua estrutura é composta principalmente por partículas finas (silte + argila), promovendo o selamento superficial, dificultando a infiltração de água, aeração e o crescimento radicular”, comenta o pós-doutorando em Microbiologia e Bioquímica do Solo, Jessé Valentim dos Santos.

Depois de três meses, 10 pesquisadores da UFLA percorreram mais de 70 km de áreas impactadas e coletaram cerca de uma tonelada de amostras de Tecnossolo, rejeitos e solos não afetados. Com esses materiais, foi realizado um detalhamento sobre a presença de elementos químicos, características físicas e mineralógicas.

Em geral, os pesquisadores encontraram o predomínio de ferro e manganês, pH elevado, baixa disponibilidade de nutrientes para plantas e baixa densidade e diversidade de microrganismos. O estudo conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Importante destacar que os resíduos da extração de minérios são depositados em barragens de rejeitos, uma medida que cumpre normas dos órgãos ambientais. E foi justamente isso que provocou um dos maiores desastres de ambientais do Brasil em 2015, quando houve o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.

Mais de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos percorreram quilômetros da bacia hidrográfica do rio Doce, entre Minas Gerais e Espírito Santo, até chegar ao Oceano Atlântico.

“O acompanhamento das áreas e tais estudos em condição controlada permitem, além do enfoque na reabilitação das áreas impactadas, o auxílio na gestão de risco ambiental e o monitoramento de parâmetros ambientais dentro das normativas vigentes. E, dessa forma, contribui para a busca de esclarecimentos para a sociedade e, principalmente, a adoção de políticas voltadas para a recuperação de áreas degradadas”, disse a pós-doutoranda em Química do Solo e Toxicologia Ambiental, Ingrid Fernanda Santana Alvarenga.

As amostras coletadas ao longo da bacia do Rio Doce integram um banco de dados com informações das características físicas, químicas e biológicas do solo. Atualmente, as visitas ao local são realizadas de duas a três vezes por ano, para acompanhar a evolução do processo de recuperação das áreas.

O esforço científico para a recuperação das áreas degradadas em Mariana é realizado em conjunto com os departamentos de Ciências Florestais e Biologia da UFLA, além de diversas outras instituições do Brasil.

Desde a década de 1990, o Departamento de Ciência do Solo da UFLA realiza estudos relacionados a atividades de mineração, como a bauxita, zinco, ferro entre outros, de diversas regiões de Minas Gerais e outros estados do Brasil.

Fonte: G1

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