A partir desta terça, imposto sobre compras internacionais fica mais caro

abril 01, 2025

Além de Minas Gerais, outros nove estados também terão aumento no ICMS sobre produtos importados. Entidades patronais defendem medida

O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado em compras em sites estrangeiros vai subir em Minas Gerais de 17% para 20% a partir desta terça-feira (1/4). A mudança ocorre após um acordo fechado no âmbito do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) no final de 2024, com o argumento de proteger o comércio nacional.

A medida vale para outros nove estados da federação: Bahia, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Roraima, Acre. O restante depende de aprovação das Assembleias Legislativas ou decreto dos governadores, como no caso de Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro, Tocantins e o Distrito Federal. Em Minas, o imposto foi majorado por um decreto do governador Romeu Zema (Novo).

Segundo manifestação do Comsefaz, publicada em dezembro, a “crescente utilização de plataformas de comércio eletrônico transfronteiriço” para compra de produtos de vestuário, eletrônicos, acessórios e artigos de uso pessoal, “impõe a necessidade de ajustes periódicos que protejam a competitividade do comércio interno e da indústria nacional”.

“O objetivo central é resguardar os empregos e a renda dos brasileiros, que enfrentam os desafios de um mercado global cada vez mais integrado, alinhando o tratamento tributário dos produtos importados ao aplicado aos bens produzidos e comercializados no mercado interno”, disse o comitê de secretários.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o setor de Serviços correspondeu a 68,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, calculado em R$ 10,1 trilhões em 2024 – sem considerar os valores de imposto sobre produtos. O comércio corresponde a 12% da economia do último ano, cerca de R$ 1,2 trilhão.

Em Minas Gerais, um levantamento da Fundação João Pinheiro mostra que o setor de serviços corresponde a 56,1% do total da economia mineira, que em 2024 fechou em R$ 1,06 trilhão, ou seja, cerca de R$ 594 bilhões. Apesar da pesquisa não dar valores nominais para o comércio, os dados mostram um crescimento de 4% do setor no estado em relação ao ano de 2024.

Em nota, a Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG) disse que o aumento do ICMS vai ajudar a garantir uma “isonomia fiscal” para a economia mineira, além de melhorar o desenvolvimento do mercado nacional. A entidade patronal destaca que a taxação tem a capacidade de desestimular a importação de alguns produtos e tornar a competição entre os produtos nacionais e internacionais “mais justa”.

“Essa mudança é de extrema importância para o comércio, os serviços, a indústria e o agronegócio. Toda a cadeia produtiva nacional é beneficiada, permitindo que haja uma proteção do mercado de trabalho nacional e, consequentemente, da renda das famílias, do investimento e da produção”, disse.

Segundo a entidade, quando não há taxação adequada dos produtos importados, a concorrência desleal pode acarretar no fechamento de empresas de todos os setores produtivos, em especial da Indústria. O aumento do ICMS seria uma forma de “assegurar a sobrevivência das empresas e dos postos de trabalho”.

“A alta mortalidade de pessoas jurídicas acarreta também na perda de empregos, principalmente entre os trabalhadores mais pobres, e expõe o país a uma alta dependência das importações, aumentando a vulnerabilidade econômica nacional. Esses motivos justificam e reforçam ainda mais a importância do aumento da tributação das importações, protegendo os nossos setores produtivos, com destaque para o comércio nacional”, completa a Fecomércio-MG.

A taxação ocorre para compras que recaem sobre o Regime de Tributação Simplificada (RTS), aplicado em encomendas internacionais com valor aduaneiro de até US$ 3 mil. Atualmente, essas compras são tributadas com Imposto de Importação (nacional) de 60% mais ICMS (estadual).

Desde agosto do ano passado, as compras de até US$ 50, que antes eram isentas de imposto de importação, passaram a ter uma alíquota de 20%, conhecida como “taxa das blusinhas”. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) classificou a taxação como uma medida positiva, que pode promover maior equilíbrio concorrencial entre produtos estrangeiros e os comercializados no mercado interno.

“A CNC tem alertado de forma contínua sobre os prejuízos causados pela isenção de tributos para importados de pequeno valor, que resulta em concorrência desleal com o varejo nacional. O comércio brasileiro, além de cumprir rigorosamente suas obrigações tributárias, é responsável por grande parcela da geração de empregos e renda no país. A equiparação tributária, por meio de medidas como o aumento do ICMS, é essencial para proteger a economia brasileira e os milhões de empreendedores e trabalhadores que atuam no comércio local”, disse.

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