Às vésperas de privatização, Copasa recebe o dobro de recursos gastos em anos anteriores
janeiro 28, 2026
Investimentos divulgados no Diário Oficial entre novembro de 2025 e janeiro deste ano chegam a R$ 1,6 bilhão e não passaram dos R$ 810 milhões no mesmo período nos dois anos anteriores

Copasa | Reprodução
Privatização da Copasa foi aprovada na Assembleia em dezembro e empresa prepara efetivação da desestatização
Desde que a privatização da Copasa chegou ao plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em primeiro turno,em novembro do ano passado, os investimentos feitos na companhia somaram mais de R$ 1,6 bilhão. As cifras foram registradas a partir das publicações feitas no Diário Oficial do estado e simbolizam o dobro do registrado no mesmo período dos dois anos anteriores.
Entre novembro de 2023 e 20 de janeiro de 2024, os investimentos registrados somaram R$ 802,8 milhões. Já de novembro de 2024 a 20 de janeiro de 2025, as cifras chegaram a R$ 729,2 milhões. O aumento dos valores se dá em um momento em que a empresa se prepara para a entrega da estrutura à iniciativa privada, o que deve ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano, segundo as previsões da Copasa.
A Copasa afirma que o aumento nos valores fazem parte de um programa de universalização do saneamento básico em Minas e não está relacionado a nenhuma obrigação contratual atrelada à privatização.
Em nota enviada, a Copasa afirma que os recursos aplicados na companhia refletem um movimento planejado de intensificação das atividades e da capacidade de execução da empresa.
“Confirmando essa tendência de crescimento robusto, o Conselho de Administração aprovou, em dezembro de 2025, um Programa de Investimentos na ordem de R$ 3,1 bilhões previstos especificamente para o exercício de 2026. Este ciclo de expansão projeta, inclusive, um aumento progressivo dos aportes para os próximos anos, com estimativas que partem de R$ 3,9 bilhões em 2027 e chegam a R$ 4,8 bilhões em 2028”, diz trecho da nota.
A companhia ainda afirma que a designação de recursos não tem vínculo com os processos de privatização e atende ao cumprimento de exigências regulatórias e operacionais. Segundo a Copasa, os investimentos têm como objetivo prioritário a universalização dos serviços de esgotamento sanitário, em conformidade com o Novo Marco do Saneamento.
O processo de privatização
Defendido como uma forma de obter recursos para adequação aos moldes do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), o processo de privatização da Copasa foi o mais longo e conturbado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) durante o ano de 2025.
O PL 4.380/2025, em que o governador Romeu Zema (Novo) apresentou à ALMG sua ideia de privatizar a companhia de saneamento, teve sua tramitação precedida por uma atribulada discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023. Também de autoria do Executivo, o texto derrubou a exigência de um referendo popular para autorizar a privatização da Copasa.
Com esforços de postergar a votação e evitar a venda da companhia, a oposição a Zema na Assembleia conseguiu fazer a discussão se arrastar por meses na Assembleia, mas a base governista logrou êxito na venda da empresa.
Os investimentos
Entre novembro do ano passado e 20 de janeiro de 2026, metade dos investimentos na Copasa descritos em publicações no Diário Oficial versam sobre a universalização dos serviços de saneamento. Para essa finalidade, os decretos de créditos suplementares do estado somam R$ 832 milhões.
O restante dos investimentos estão divididos em ações descritas como adequação da infraestrutura administrativa e operacional; subsídios tarifários; convênios com a Cemig; aquisição de hidrômetros e a compra de artefatos como tubos de aço carbono, cloro líquido e policloreto de alumínio.









