Setor de café perde R$ 66,1 mi por crise portuária, apesar de recorde de US$ 15,6 bi
janeiro 28, 2026
Somente em dezembro, o prejuízo foi de R$ 4,6 milhões devido ao não embarque de quase 490 mil sacas

Marcello Casal JR/Agência Brasil
Crise logística atinge diretamente o bolso do produtor rural
Apesar dos recordes na movimentação de cargas, o setor cafeeiro do Brasil foi afetado pelo esgotamento da infraestrutura portuária em 2025. O prejuízo direto foi de R$ 66,1 milhões aos exportadores de café, segundo levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
O montante é reflexo de gastos extras com armazenagem adicional, pré-stacking e detentions (multas por atraso na devolução de contêineres), causados por filas de caminhões, pátios superlotados e falta de berços para atracação. Somente em dezembro, o prejuízo foi de R$ 4,6 milhões devido ao não embarque de quase 490 mil sacas.

Impacto invisível dos números recordes
Embora os dados gerais do comércio exterior apresentem números históricos, o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, alertou que esses resultados “mascaram” a crise enfrentada pelas cargas.
“Na média mensal, 55% dos navios sofreram atrasos ou alterações de escala. Isso impediu a exportação de 1.824 contêineres por mês, fazendo com que o Brasil deixasse de receber R$ 14,67 bilhões (US$ 2,64 bilhões) em receita cambial em 2025″, revelou Heron.
O problema não é exclusivo do café. Setores como algodão e açúcar também relatam dificuldades severas. A crise logística atinge diretamente o bolso do produtor rural, já que o Brasil repassa cerca de 90% do valor FOB (preço do produto no porto) aos cafeicultores. Com o atraso nos embarques, a renda no campo diminui.
Santos no centro da crise
O Porto de Santos, principal porta de saída da produção brasileira, é o ponto de maior preocupação. O setor critica a lentidão em investimentos e a possível judicialização do leilão do Tecon Santos 10. Uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) que restringe a participação de armadores no certame pode atrasar ainda mais a expansão da capacidade de pátio e berço.
“Se as exportações do agronegócio continuarem crescendo no ritmo atual (6% ao ano desde 2016) e os investimentos em infraestrutura seguirem de forma burocrática, o país continuará perdendo competitividade”, concluiu o diretor.
Alternativas
Como rota de fuga de Santos, o Cecafé aposta na diversificação logística. A expectativa recai sobre a parceria entre o Imetame Porto Aracruz (ES) e a Hanseatic Global Terminals (subsidiária da Hapag-Lloyd). A meta é atrair cargas para o Espírito Santo, desafogando os terminais paulistas e mitigando os riscos para o comércio exportador de café.









