Pesquisa da UFLA desenvolve sistemas acessíveis para produtores rurais e pessoas com deficiência visual
fevereiro 09, 2026
Quando o site também aprende a enxergar

Uma pesquisa desenvolvida no GEDAI – Laboratório de Processamento, Ciência de Dados e Inteligência Artificial, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), está mudando a forma como sistemas públicos são pensados e desenvolvidos em Minas Gerais. O projeto aposta na acessibilidade digital desde as primeiras linhas de código, garantindo que pessoas cegas, com deficiência visual, idosos e produtores rurais consigam acessar serviços essenciais com autonomia.



O trabalho foi apresentado durante um workshop realizado no sábado, 7 de fevereiro, e integra um convênio com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), órgão do Governo de Minas Gerais, com gestão da Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC). No âmbito do convênio, estão sendo desenvolvidos sistemas como o SIDAGRO e o GeoProcess, utilizados por produtores rurais, servidores públicos e cidadãos em todo o estado.
Diferentemente de abordagens tradicionais, a acessibilidade não aparece como correção final, mas como requisito obrigatório do projeto. Durante o workshop, o estudante de Sistemas de Informação Gabriel Aguiar Alves e Silva demonstrou que ajustes simples, como a descrição correta de imagens e campos de formulário, já são capazes de transformar completamente a experiência de usuários que dependem de leitores de tela.
“É o básico do básico, mas só isso já muda completamente a experiência de quem usa”, explicou o estudante.
A desenvolvedora front-end do GEDAI, Esther Silva de Magalhães, destacou que a maior barreira para a acessibilidade ainda é cultural. “Muitos sistemas deixam de ser acessíveis não por falta de tecnologia, mas por não considerarem a diversidade de usuários”, afirmou.
Para Júlio César Souza de Lima, desenvolvedor sênior e tech lead da FUNDECC, o projeto representa uma mudança estrutural na forma de desenvolver software. “Normalmente, a acessibilidade é pensada no final. Aqui, ela faz parte da entrega obrigatória”, ressaltou. O convênio tem duração de três anos, de 2024 a 2027, e prevê que todos os sistemas atendam às normas e legislações de acessibilidade vigentes.
O impacto da pesquisa vai além da universidade. Segundo o professor André Pimenta Freire, do Departamento de Ciência da Computação da UFLA, os sistemas desenvolvidos serão usados diariamente por produtores rurais, comerciantes e servidores públicos. “O IMA presta serviços essenciais à sociedade, e seus sistemas precisam estar preparados para atender diferentes realidades”, explicou.
Felipe Fortes Braz, doutor em Física, pessoa cega e técnico em regulação da CEMIG, destacou a importância da iniciativa. “Quando um sistema é genuinamente acessível, ele nos traz autonomia, confiança e condições reais de trabalho”, afirmou.
Ao unir ciência de dados, inteligência artificial e desenvolvimento de software, a pesquisa reforça o papel da universidade pública na construção de soluções que ampliam o acesso a direitos e serviços. Mais do que cumprir normas, o projeto mostra que tecnologia de qualidade é aquela que funciona para todos.












