Historiador resgata dados importantes que ajudam a contar história de Ingaí
agosto 05, 2019
Durante uma pesquisa bibliográfica para elaboração de um artigo histórico literário na UFLA, o historiador e professor Vinícius Ferreira Batista, descobriu, por ventura, um fato de grande relevância para a História da cidade de Ingaí. O historiador chegou à conclusão de que a capela do Arraial da Ponte era dedicada a Santo Inácio e foi autorizada por provisão de 31 de maio de 1771, de acordo com o anuário de Instituições de Igrejas do bispado de Mariana(1945 p.121) citado por Geovani Németh Torres(2018 p.70). As informações sobre essa capela ainda eram imprecisas e baseadas geralmente em relatos de antigos moradores, sobretudo em relação ao santo padroeiro.

Existe naquela cidade, a pouco mais de três quilômetros da sede do município, as ruínas do antigo cemitério e do antigo Arraial da Ponte, uma importante porta de entrada para Minas Gerais para os primeiros exploradores de ouro e diamantes no século XVIII e início do século XIX, pois era o ponto de travessia do Rio Ingaí na Estrada Real. O cemitério ainda tem todos os seus fortes muros de pedra intactos. No meio do cemitério, tomada por diversas árvores está a antiquíssima e importante Capela da localidade, com as paredes de adobe ainda de pé. Também ainda restam algumas lápides e sepulturas (fotos).

Em 1890 os moradores do arraial entraram em desentendimento, e parte deles, liderada pelo capitão Francisco Pinto de Souza se mudaram para o novo povoado de Aliança, atual localidade onde se encontra Ingaí. Na nova localidade foi construída uma capela de madeira, dedicada a São Sebastião.
O historiador e professor Vinícius Ferreira Batista.
Ingaí, nos idos do século XVIII,foi um importante arraial pertencente a Lavras e a Carrancas. Ingaí consta nos mais antigos mapas das capitânias da nossa região. A capela do arraial da ponte chegou a ter até padre capelão, o que era um fator de prestígio para as localidades daquela época. Já a nova capela de São Sebastião só veio a se tornar paróquia no apagar das luzes do século XX, em 1999, sendo a última cidade da região de Lavras a ter uma paróquia local.
Tábua em madeira com pintura de São Sebastião encontrada pelo historiador em 2014. Peça foi a única que restou da capela destruída por um incêndio em 1931.
Em 2014 o professor e historiador participou de outro importante resgate histórico para o patrimônio da igreja. Uma tábua, com uma pintura rústica de São Sebastião foi a única coisa que restou da primeira capela que foi destruída por um raio e um incêndio em 1931. Essa relíquia estava sobre tutela de uma família local. Após diversos diálogos com os guardiões desse bem histórico da paróquia, a família doou a tábua para a igreja e o pároco Padre Carlinhos Paris Silverio, SJC promoveu a restauração e preservação. Na tábua, que está exposta em um relicário na igreja Matriz de Ingaí ainda podem ser vistos sinais do fogo que consumiu a igreja e deu origem à promessa da tradicional Fogueira de São João Batista.

Fonte: Lavras 24 Horas









