Vacina em Minas: saiba quem pode ter prioridade
janeiro 15, 2021
É grande a expectativa para o início da vacinação contra a COVID-19 no país. O Ministério da Saúde já divulgou que as vacinas CoronaVac e AstraZeneca serão distribuídas proporcionalmente ao tamanho dos estados. Minas Gerais abriga mais de 21 milhões de pessoas. A quantidade de vacinados prioritariamente, no entanto, ainda não foi divulgada pelo governo do estado.
Enquanto isso, o Estado de Minas fez um levantamento para estimar quantos mineiros estão nos grupos a serem os primeiros imunizados no estado. A grosso modo, pode-se afirmar que o governo do estado precisará de, ao menos, 4,2 milhões de doses para vacinar essa população prioritária uma única vez, lembrando que são necessárias duas doses para uma imunização segura.
O número, porém, deve ultrapassar ou mesmo ser menor que essa estimativa. O Estado de Minas se baseou apenas em dados repassados à reportagem pelas secretarias do governo de Minas Gerais, Prefeitura de Belo Horizonte, corporações e instituições de segurança, além de entidades sindicais e outros órgãos representativos.

Assim, também é preciso levar em conta que um cidadão pode fazer parte de diferentes grupos prioritários dentro do universo contemplado pelo Plano Nacional de Imunização (PNI), por exemplo, um trabalhador da saúde que tenha comorbidades, ou um professor com idade igual ou superior a 60 anos.
Além disso, foi feita uma amostragem entre os grupos listados pelo Ministério da Saúde, não contemplando a totalidade das 14 categorias listadas. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) para solicitar o número de servidores públicos ligados ao estado, entre eles os da saúde, mas até o momento da publicação não obteve resposta. O EM também tentou fazer o levantamento da população quilombola em Minas, sem sucesso. Segundo o governo de Minas, em 2019, o estado contava com quase 400 comunidades reconhecidas oficialmente.
O Ministério da Saúde aguarda a divulgação, por parte da Anvisa, das respostas aos pedidos de uso emergencial das vacinas do Butantan e da Fiocruz – o que deve acontecer no próximo domingo, dia 17. Desta forma, caso uma ou as duas vacinas sejam liberadas pela Agência, a pasta já planeja um evento no início da semana que vem, em Brasília, para divulgar a data de início da vacinação no Brasil.
De acordo com o PNI, do Ministério da Saúde, foram elencadas as seguintes populações como grupos prioritários para vacinação: trabalhadores da área da saúde (incluindo profissionais da saúde, profissionais de apoio, cuidadores de idosos, entre outros), pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, população idosa institucionalizada, indígenas aldeados em terras demarcadas, comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas, população em situação de rua, pessoas com comorbidades, trabalhadores da educação, pessoas com deficiência permanente severa, membros das forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional, população privada de liberdade, trabalhadores do transporte coletivo e transportadores rodoviários de carga.
No plano divulgado em 16 de dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde definiu três fases da campanha de vacinação, considerando doses do imunizante da AstraZeneca, produzidas no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Na primeira fase, serão vacinados trabalhadores da saúde, pessoas com 75 anos ou mais, pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas, população indígena em aldeias e terras demarcadas, e povos e comunidades tradicionais ribeirinhas. Na segunda, a vacina será para pessoas de 60 a 74 anos e, na terceira, pessoas com morbidades que vão de diabetes a obesidade grave, câncer, entre outras. Para esse esquema completo, o plano estima 104,2 milhões de doses. As etapas para imunizar o restante dos grupos prioritários que não integram essas três primeiras fases ainda será definido.
Os números de Minas
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que a população de Minas Gerais hoje passe dos 21 milhões de habitantes. Desse total, 3,7 milhões têm 60 anos ou mais. Ainda segundo o levantamento, 453 mil idosos vivem em Belo Horizonte, que lidera o número de casos de COVID-19 no estado.
Os dados da população indígena ainda são do Censo de 2010: 31,6 mil pessoas. Quanto às forças de segurança, apenas o efetivo da Polícia Militar (PM) já soma 38 mil agentes. Atualmente, o número de detentos sob custódia do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG) é de cerca de 60 mil supervisionados por cerca de 18 mil agentes penitenciários.
Os trabalhadores da educação, prioritários que visam o retorno seguro das aulas presenciais, representam grande número em Minas. A rede estadual tem atualmente cerca de 136 mil professores. Os professores da rede estão atuando em regime de teletrabalho no regime de estudo não-presencial, sem previsão de retorno. Nas instituições de ensino federais que atuam no estado, são 17.676 professores ativos.
Na área da saúde, o número de médicos atuando em Minas Gerais é de 56 mil. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) realiza a gestão de quatro hospitais universitários que têm um total de funcionários em 7.839. A estatal conta com uma Instrução Normativa que concedeu trabalho remoto para todos os grupos de risco dos hospitais da Rede, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde. Além disso, a Ebserh realizou um Processo Seletivo Emergencial para contratar temporariamente profissionais para o combate à COVID-19.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) aguarda definição do Ministério da Saúde para bater o martelo com a campanha de imunização contra o novo coronavírus. “A Secretaria reforça que o estado está empenhado para que todos os mineiros tenham acesso a todos os serviços que integram a rede de saúde, entre eles a vacinação contra a COVID-19”, informou a pasta.
Com relação aos critérios adotados para incluir as comorbidades, a SES-MG explica que o risco de complicações pela COVID-19 não é uniforme na população. Esse risco está relacionado a características sociodemográficas, presença de morbidades, entre outros. De acordo com o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19, as morbidades incluídas são diabetes mellitus, hipertensão arterial grave (difícil controle ou com lesão de órgão alvo), doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, indivíduos transplantados de órgão sólido, anemia falciforme, câncer e obesidade grau III.
Fonte: Portal UAI







